
Em marketing aprendi que os produtos para se destacarem e diferenciarem no mercado possuem atributos. Qualidade, característica e design fazem parte desses atributos. Para que possamos identificar e avaliar os produtos, temos os rótulos. Na vida aprendi que as pessoas têm sentimentos, defeitos e qualidades e estes são totalmente mutáveis. O problema é que costumamos classificar as pessoas da mesma forma que classificamos os produtos e ainda que cada pessoa não possua em sua testa uma especificação temos o hábito de imaginar o rótulo de cada um.
Em primeiro lugar parece extremamente fácil definir, rotular, determinar os outros partindo daquilo que nós mesmos consideramos como modelo. É através da nossa experiência de vida, daquilo que nós sentimos e acreditamos que olhamos para o mundo. Muitas vezes esquecemos que não estamos sozinhos. Nossa experiência é bem diferente da experiência dos outros, nossa forma de lidar com elas também é diferente. Sempre sabemos o que os outros deveriam fazer. Criticamos, julgamos, censuramos quando os outros regem a determinada situação diferente daquilo que nós faríamos. Muitas eu me pego fazendo isso. E agora me pergunto quem sou eu? Quem somos nós? Por que sempre acreditamos que nós faríamos melhor? Por que achamos que nós estamos certos?
O ser humano é totalmente inconstante. O que sentimos hoje, não sentíamos ontem e talvez não sentiremos amanhã. O que faríamos hoje, não foi feito ontem e talvez não seja feito amanhã. Nosso caráter, nosso pensamento, nossa forma de ação e reação é construída dia-a-dia. Quantas vezes lembrando o passado não pensamos: se fosse hoje eu não teria feito desta forma! Mas para pensarmos assim precisamos daquilo que chamamos de experiência. A experiência nos forma e nos transforma. Da mesma maneira que faz com os outros. Por que então é tão difícil acreditar que as pessoas podem mudar? Por que teimamos em colocar um rótulo grotesco e inflexível nas pessoas? É... Além de rotular temos certa dificuldade de mudar nossos conceitos sobre os outros.
Pense em um amigo, descreva seus três maiores defeitos e suas três maiores qualidades. Agora pense em você e faça o mesmo. O que foi mais fácil? Confesso que pra mim foi mais fácil pensar nos defeitos e qualidades do meu amigo. Parece mais fácil definir os outros. Não que não tenhamos conhecimento sobre nós mesmos, pelo contrário, nós sabemos da nossa complexidade. Conhecemos, ainda que bem pouco nosso próprio universo de sentimentos contraditórios e abrangentes. Por isso, escolher apenas três características nos limita.
Diante da enormidade de sentimentos do ser humano, rotular as pessoas é no mínimo diminuir muito a nossa complexidade. Pura ignorância!
